
Em meio as árvores da floresta negra. Na densa névoa que paira sobre o solo fértil do cemitério antigo. Caminha o lobo que nascera dessa névoa de egrégora funesta.
O funeral acontece, sob a luz do cheio luar. As hordas de demônios banham-se com o sangue que jorra dos agora cadáveres que são dilacerados pelos famintos lobos.
A lua apenas serve como holofote para o funeral que ali se realiza. Um funeral macabro e aterrador. Que põe os homens para descansar sem nem mesmo sua hora ter chegado. A noite que começara há um tempo, parece que não acaba, e o sol desiste de retornar aos céus quão suprema é a posição da lua em seu estado. As hordas demoníacas veneram aos lobos. Um uivo estronda do meio da floresta. É o grande lobo da névoa. Confunde-se com seu tamanho e poder até mesmo Fenris. Porém, em sua destreza e agilidade, os ventos não conseguem acompanhá-lo. Seu hálito assombra os espíritos, que fogem da floresta e buscam os céus. Soberano, o lobo da névoa os devora, mostrando assim sua supremacia diante dos outros espíritos, que se ajoelham diante de tal demonstração de poder.
O sangue que escorre de seus afiados caninos cai como sereno sobre o cemitério. Os outros lobos que dilaceravam cadáveres uivam e veneram ao grande lobo. Os demônios evocam legiões de espiritos infernais para o culto que se realiza.
A lua cheia no centro do firmamento, clareia com sua funérea luz, de aura macabra e malevolente. As manifestações pagãs da natureza que presenciam os atos, fortalecem os ritos. Os lobos não cessam a canção. O coro de uivos torna a noite eterna. E a lua funérea.

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